- Paciente
- Mulher, 46 anos
- Comorbidades
- sem diagnóstico prévio de doença endócrina, vitiligo em mãos e punhos, notado há cerca de 2 anos, nunca investigado
- Fatores de risco
- vitiligo -- associação reconhecida com doença autoimune, inclusive adrenal, fadiga progressiva e perda de peso não intencional nos últimos meses, nunca investigadas, quadro infeccioso agudo (gastroenterite) como possível gatilho de descompensação adrenal
Contexto: Manicure autônoma, casada, mora com o marido, que também teve quadro gastrointestinal leve nos últimos dias. Trazida ao pronto-socorro por ele depois de não melhorar com repouso e líquidos em casa. - Cenário
- pronto-socorro de hospital geral · atendimento de emergência com evolução ao longo de horas, seguido de acompanhamento até a alta cerca de 48 horas depoisRecursos disponíveis: acesso venoso periférico já puncionado pela triagem, hidrocortisona injetável disponível na sala de emergência, solução salina isotônica para infusão, laboratório com dosagem de eletrólitos, glicemia, cortisol e ACTH basais, glicosímetro capilar, leito de observação/unidade semi-intensiva, kit injetável de hidrocortisona para prescrição de alta
- Complexidade
- Gravidade 5/5Urgência 5/5Diagnóstico 4/5Ambiguidade 3/5
- O que este caso treina
- • Reconhecer a crise adrenal em paciente sem diagnóstico prévio de insuficiência adrenal, usando o choque refratário a volume associado a hiperpigmentação e sintomas crônicos inespecíficos como pista central, sem atribuir tudo a um quadro infeccioso concomitante nem descartar a hiperpigmentação como traço constitucional.
- • Tratar empiricamente com hidrocortisona parenteral diante de suspeita de crise adrenal, sem aguardar a confirmação laboratorial do cortisol/ACTH, tendo colhido as amostras diagnósticas antes da primeira dose.
- • Conduzir a reposição volêmica agressiva (1000 mL de solução salina isotônica na primeira hora) em paralelo à hidrocortisona, sem priorizar vasopressor isoladamente nem restringir o volume por cautela excessiva.
- • Identificar e tratar concomitantemente o fator precipitante mais comum (infecção, aqui gastrointestinal), e diferenciar a crise adrenal de outras causas de choque refratário a volume, inclusive quando um gatilho infeccioso real está presente.
- • Reconhecer e tratar hipoglicemia como complicação da crise adrenal, e orientar corretamente sobre prevenção de recorrência (regras de dias de doença, cartão de emergência, kit injetável) antes da alta.