- Paciente
- Mulher, 27 anos
- Fatores de risco
- pródromo de dez dias com febre baixa, cefaleia e mal-estar tipo gripal antes da mudança de comportamento, sem história de uso de substâncias relatada pela família, sem história psiquiátrica prévia — primeiro episódio de qualquer natureza, sexo feminino em idade fértil, fator relevante caso se confirme encefalite autoimune (associação conhecida com teratoma ovariano)
Contexto: auxiliar administrativa em uma universidade, mora com os pais, sem história psiquiátrica prévia; pais extremamente preocupados, presentes desde a chegada ao pronto-socorro - Cenário
- Pronto-socorro geral, com avaliação conjunta de psiquiatria e clínica médica/neurologia · avaliação de quadro psiquiátrico agudo de início recente, com necessidade de diferenciar transtorno psiquiátrico primário de causa orgânica/autoimune, ao longo de dias a poucas semanas de internaçãoRecursos disponíveis: hemograma, eletrólitos, função tireoidiana, vitamina B12, sorologia para HIV e triagem toxicológica de urina disponíveis, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma disponíveis, punção lombar com pesquisa de anticorpo anti-NMDA no líquor disponível em conjunto com a neurologia, equipe de neurologia e terapia intensiva disponíveis para avaliação e manejo conjunto, ultrassonografia transvaginal e exames de imagem oncológicos disponíveis em conjunto com ginecologia
- Complexidade
- Gravidade 4/5Urgência 4/5Diagnóstico 5/5Ambiguidade 4/5
- O que este caso treina
- • Reconhecer sinais de alerta que devem levantar suspeita de causa orgânica/autoimune diante de um quadro psiquiátrico agudo de início recente (pródromo febril, alucinação não exclusivamente auditiva, flutuação do nível de consciência), evitando fechar prematuramente o diagnóstico de transtorno psicótico primário.
- • Solicitar investigação dirigida por hipótese clínica, não em pacote, e reconhecer que exames básicos e de neuroimagem normais, isoladamente, não afastam uma encefalite autoimune em fase inicial.
- • Reconhecer o risco de intolerância a antipsicóticos em pacientes com suspeita de encefalite autoimune e evitar escalonar neurolépticos diante de piora do quadro sem essa consideração.
- • Coordenar o cuidado entre psiquiatria, neurologia e demais especialidades, garantindo que investigações essenciais associadas ao diagnóstico (como o rastreamento oncológico) não se percam entre equipes.
- • Comunicar à família, de forma compreensível e sem culpabilização, a natureza orgânica de um quadro inicialmente interpretado como psiquiátrico, e documentar a suspeita para reavaliações futuras — inclusive generalizando o princípio de que idade de início avançada é bandeira para psicose, não para depressão.