Preparo
- Avaliação inicial do grande queimado: ABCDE e regra dos nove
- Cálculo da superfície corporal queimada (SCQ) e classificação de profundidade
- Síndrome compartimental abdominal por reanimação excessiva ("fluid creep")
- Paciente
- Homem, 34 anos
- Fatores de risco
- queimadura extensa (espessura parcial profunda e total) por explosão de botijão de gás, mecanismo de alta energia, atraso de 2h15 entre a lesão e a chegada ao centro de referência (transferência interfacilidades), relevante para o cálculo do tempo de reanimação
Contexto: mecânico, mora com a esposa Fernanda e um filho pequeno; Fernanda o acompanha na unidade de queimados - Cenário
- Centro de referência em queimados de hospital terciário, com unidade de terapia intensiva para grandes queimados, banco de sangue, laboratório com resultados em tempo hábil e equipe de enfermagem treinada em cuidado de queimados · atendimento de urgência de grande queimado transferido de outro serviçoRecursos disponíveis: dois acessos venosos periféricos calibrosos, sonda vesical de demora para monitorização horária de diurese, unidade de terapia intensiva para grandes queimados, laboratório com resultados em tempo hábil, equipe de enfermagem treinada em cuidado de queimados
- Complexidade
- Gravidade 4/5Urgência 4/5Diagnóstico 2/5Ambiguidade 4/5
- O que este caso treina
- • Reconhecer que uma queimadura extensa (>20% SCQ) de espessura parcial profunda ou total exige reanimação volêmica formal e calculada desde já, mesmo com sinais vitais ainda preservados — o choque de queimadura se desenvolve ao longo das primeiras horas, não de imediato.
- • Estimar corretamente a %SCQ pela regra dos nove, incluindo apenas queimaduras de espessura parcial e total, e calcular o volume inicial de reanimação pela fórmula de Parkland (4 mL/kg por %SCQ), contando as primeiras 8 horas a partir da hora da LESÃO — nunca da hora da avaliação.
- • Titular a taxa de infusão pela meta de diurese horária (0,5 a 1 mL/kg/h no adulto) em vez de seguir o volume calculado pela fórmula de forma fixa, reconhecendo que o cálculo inicial é um ponto de partida a ser reavaliado, nunca uma prescrição definitiva.
- • Distinguir diurese baixa por sub-ressuscitação (responde a mais volume) de diurese baixa apesar de volume já ACIMA do previsto pela fórmula (sinal de possível sobre-ressuscitação/'fluid creep', que pede reavaliação clínica, não mais cristaloide), e reconhecer que fluidos excessivos são contraindicados no paciente já hemodinamicamente estável.
- • Reavaliar clinicamente uma observação trazida por um familiar à beira do leito (como distensão abdominal nova) em vez de apenas tranquilizar, e explicar em linguagem acessível por que o volume de reposição em queimados é individualizado e continuamente ajustado.