- Paciente
- Homem, 45 anos
- Comorbidades
- obesidade (IMC 31), ronco importante à noite, com pausas respiratórias notadas pela esposa — suspeita de apneia obstrutiva do sono nunca investigada, tabagismo leve (cerca de 5 cigarros/dia)
- Em uso de
- nenhuma medicação de uso contínuo
- Fatores de risco
- Mallampati III ao exame, pescoço curto — sem outro sinal de via aérea difícil (abertura de boca adequada, sem trauma facial, sem limitação de extensão cervical), relato de ronco com pausas respiratórias — suspeita de apneia obstrutiva do sono, refeição (um sanduíche) cerca de 1h30 antes da queda que motivou a vinda ao PS, dor intensa e luxação articular não reduzida — risco de comprometimento neurovascular se a redução for postergada por muito tempo
Contexto: marceneiro autônomo; caiu de uma escada em casa ao trocar uma lâmpada; casado, esposa Neuza o acompanha desde a chegada ao PS - Cenário
- Pronto-Socorro geral com sala de procedimentos equipada para sedação: monitor cardíaco, oxímetro de pulso, capnógrafo, material de via aérea (bolsa-válvula-máscara, cânulas orofaríngeas, laringoscópio, tubos endotraqueais, material de via aérea cirúrgica), aspirador, acesso venoso periférico já puncionado, cetamina/propofol/midazolam/fentanil disponíveis · atendimento de urgência por luxação anterior de ombro direito após queda, com indicação de redução incruenta sob sedação e analgesia proceduralRecursos disponíveis: monitor cardíaco, oximetria de pulso e capnografia, material de via aérea de resgate (bolsa-válvula-máscara, cânulas, laringoscópio, material de via aérea cirúrgica), aspirador, acesso venoso periférico já puncionado, cetamina, propofol, midazolam e fentanil injetáveis disponíveis, equipe de enfermagem treinada em sedação procedural, ortopedista disponível para realizar a redução assim que o paciente estiver sedado
- Complexidade
- Gravidade 4/5Urgência 3/5Diagnóstico 2/5Ambiguidade 3/5
- O que este caso treina
- • Realizar avaliação pré-sedação de via aérea e estratificação de risco antes de decidir sedar, sem usar fatores de risco isolados como pretexto para negar ou atrasar sedação nem para ignorá-los.
- • Reconhecer que o jejum recente não deve, isoladamente, atrasar uma sedação urgente e dolorosa.
- • Escolher o agente farmacológico adequado ao objetivo do procedimento, evitando sedar sem analgesia e evitando bólus de agente hipotensor num paciente com fatores de risco de via aérea.
- • Instalar monitorização contínua com capnografia e confirmar o plano de resgate ANTES da primeira dose, administrando o sedativo com titulação, nunca em bólus.
- • Reconhecer e manejar as duas principais complicações respiratórias da sedação procedural — dessaturação/hipoventilação transitória e laringoespasmo — sem escalar desnecessariamente nem deixar de intervir, e usar critério estruturado de recuperação antes da alta da sala de sedação.