- Paciente
- Homem, 58 anos
- Comorbidades
- hipertensão arterial sistêmica controlada
- Em uso de
- losartana 50mg 1x/dia
- Fatores de risco
- idade acima de 55 anos — fator de risco reconhecido para falha do tratamento não operatório em trauma esplênico, motociclista, mecanismo de trauma de alta energia (colisão em cruzamento)
Contexto: aposentado, mora com a esposa, que o acompanha no pronto-socorro e no seguimento ambulatorial - Cenário
- Pronto-socorro de hospital terciário, com CTI cirúrgico disponível, banco de sangue, tomografia com contraste, radiologia intervencionista com capacidade de embolização superseletiva e centro cirúrgico de urgência 24h · atendimento de urgência de trauma abdominal fechado com suspeita de lesão esplênicaRecursos disponíveis: E-FAST à beira-leito, tomografia computadorizada com contraste endovenoso, radiologia intervencionista com capacidade de embolização superseletiva, banco de sangue, unidade de vigilância intensiva (CTI/unidade equivalente), centro cirúrgico de urgência 24h
- Complexidade
- Gravidade 4/5Urgência 4/5Diagnóstico 3/5Ambiguidade 4/5
- O que este caso treina
- • Reconhecer que a decisão diagnóstica inicial em trauma abdominal fechado com suspeita de lesão esplênica deve se basear no status hemodinâmico do paciente — nunca apenas num FAST/E-FAST positivo —, sendo a tomografia com contraste o padrão-ouro em pacientes estáveis ou estabilizados.
- • Distinguir indicação ABSOLUTA (instabilidade hemodinâmica refratária, peritonite, evisceração) de indicação RELATIVA de cirurgia, reconhecendo que grau anatômico elevado e presença de blush, isoladamente, em paciente estável, não são indicação absoluta — a tentativa inicial de tratamento não operatório deve ser oferecida independentemente do grau.
- • Aplicar os requisitos de ambiente e vigilância do tratamento não operatório (monitorização intensiva, reavaliação clínica e hematimétrica seriada, acesso imediato a banco de sangue, radiologia intervencionista e centro cirúrgico) e reconhecer a embolização superseletiva como parte do tratamento em lesões grau III com blush, independentemente de sangramento ativo no momento.
- • Reconhecer sinais objetivos de falha do tratamento não operatório (instabilidade hemodinâmica persistente, queda hematimétrica significativa, necessidade contínua de transfusão) como critério para indicar cirurgia sem adiamento, e diferenciar idade avançada como fator de RISCO — que pede vigilância mais intensa — de contraindicação absoluta ao tratamento não operatório ou de indicação automática de cirurgia.
- • Envolver o paciente capaz na decisão compartilhada entre tratamento não operatório e cirurgia eletiva antecipada, e garantir a imunização contra bactérias encapsuladas após esplenectomia, evitando tanto a alta sem qualquer plano de vacinação quanto a vacinação antecipada antes do prazo mínimo recomendado.