Metabolismo do glicogênio: síntese, degradação e as glicogenoses
Em 30 segundos
O glicogênio é a reserva de glicose do fígado e do músculo: a sintase e a ramificadora o montam, a fosforilase e a desramificadora o desmontam, e a fosforilação reversível, coordenada pela fosfatase PP1, decide entre guardar e liberar (insulina e glucagon no fígado, AMP e Ca2+ no músculo).
Escopo e método deste resumo
O glicogênio é a reserva de glicose do fígado e do músculo: a sintase e a ramificadora o montam, a fosforilase e a desramificadora o desmontam, e a fosforilação reversível, coordenada pela fosfatase PP1, decide entre guardar e liberar (insulina e glucagon no fígado, AMP e Ca2+ no músculo). Só fígado, rim e intestino têm a glicose-6-fosfatase G6PC1 (em geral se aceita) que devolve glicose livre ao sangue, e a falta de cada enzima da via dá uma glicogenose, com o fenótipo do tecido em que ela age.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Essencial
- A glicose entra na célula pelos transportadores e é fosforilada a glicose-6-fosfato pelas hexocinases; a fosfoglicomutase-1 isomeriza a glicose-6-fosfato em glicose-1-fosfato.
- A UDP-glicose pirofosforilase forma UDP-glicose a partir da glicose-1-fosfato; a UDP-glicose é o doador imediato de glicose para o glicogênio.
- A glicogenina inicia a síntese por autoglicosilação: transfere glicose da UDP-glicose para si mesma e forma uma cadeia linear curta, de cerca de 10 a 20 glicoses.
- A glicogênio sintase alonga essa cadeia, transferindo a glicose da UDP-glicose para a fita em crescimento e formando ligações α-1,4.
- A enzima ramificadora transfere um segmento de 6 a 8 unidades para a fita e forma uma ligação α-1,6, o que faz do glicogênio um polímero multirramificado.
- A glicogênio fosforilase libera glicose-1-fosfato das cadeias lineares, rompendo as ligações α-1,4.
- A ação da fosforilase é bloqueada quando ela chega a quatro resíduos de glicose do ponto de ramificação (a dextrina limite).
- A enzima desramificadora resolve o ramo em dois passos: a atividade de transferase move três resíduos da fita lateral para outra fita linear; a atividade de glicosidase hidroliza a ligação α-1,6 do ponto de ramificação e libera glicose, o que devolve à fosforilase o acesso às ligações α-1,4.
- A glicose-1-fosfato liberada é isomerizada a glicose-6-fosfato pelas fosfoglicomutases.
- A glicose-6-fosfato é desfosforilada a glicose livre para poder sair da célula. Isso ocorre no retículo endoplasmático, pela ação conjunta do translocador de glicose-6-fosfato e das isoenzimas da glicose-6-fosfatase.
Proteína fosfatase-1 (PP1): subunidade catalítica ligada a uma subunidade regulatória, que a direciona a locais e substratos específicos.
Junto ao glicogênio: as subunidades regulatórias de direcionamento levam a PP1 à partícula de glicogênio.
- Fosforilação e desfosforilação são reversíveis: as cinases fosforilam e inativam a glicogênio sintase; as fosfatases desfosforilam e ativam.
- A insulina ativa a PP1, o que pode explicar, ao menos em parte, o aumento da síntese de glicogênio no fígado e no músculo; a PP1 ativa a sintase e, ao mesmo tempo, inativa a fosforilase.
- A glicose-6-fosfato também ativa a sintase, de forma alostérica, e a torna um melhor substrato das fosfatases.
- No sentido oposto, no fígado, o glucagon ativa a fosforilase, provavelmente por aumentar o cAMP.
- A fosforilase quinase (PHK) fosforila e ativa a fosforilase; sua subunidade δ é a calmodulina, que dá sensibilidade ao cálcio, e a PHK libera glicose em resposta ao aumento de cálcio e de cAMP.
- A fosforilase muscular é fortemente ativada por AMP.
- O AMP também ativa a AMPK (junto com o cálcio), que inibe a síntese de glicogênio ao fosforilar e inativar a sintase: uma co-regulação, em que o mesmo sinal favorece a degradação e freia a síntese.
Na clínica
Em geral se aceita que a isoforma G6PC1 da glicose-6-fosfatase, que desfosforila a glicose-6-fosfato no retículo endoplasmático, tem expressão restrita a fígado, rim e intestino.
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Aprofundamento
Glicogênio — a via cai em pontos diferentes conforme a enzima que falta (glicogenoses)
Tipo I (von Gierke) → glicose-6-fosfatase-1 (tipo Ia) ou translocador de glicose-6-fosfato (tipo Ib) deficiente; no tipo Ia, a glicose-6-fosfato não vira glicose livre, o que dá hipoglicemia de jejum, e o excesso de glicose-6-fosfato é desviado para triglicerídeos, lactato e urato; Tipo II (Pompe) → α-glicosidase ácida lisossômica (GAA) deficiente; o glicogênio se acumula nos lisossomos, sobretudo do músculo esquelético, cardíaco e liso; Tipo III (Cori-Forbes) → desramificadora deficiente; acúmulo de glicogênio de estrutura anormal no fígado, no músculo esquelético e no coração; Tipo V (McArdle) → atividade da fosforilase da isoforma muscular diminuída; a glicogenólise do músculo esquelético fica prejudicada; Tipo VI (Hers) → atividade da fosforilase da isoforma hepática perdida; fenótipo em geral leve, com hipoglicemia cetótica de jejum, acidemia láctica, hepatomegalia e atraso do crescimento
Na deficiência da fosforilase da isoforma muscular (doença de McArdle, tipo V), a glicogenólise do músculo esquelético fica prejudicada e limita a glicose disponível quando a contração começa: surgem fadiga, cãibras e frequência cardíaca desproporcional à carga de trabalho. Em repouso pode haver creatinoquinase sérica elevada e, com o exercício, episódios de rabdomiólise e mioglobinúria.
Depois de alguns minutos, a fadiga e a frequência cardíaca diminuem espontaneamente e a tolerância ao exercício melhora (o fenômeno do segundo fôlego, ou second wind), atribuída ao uso, pelo músculo ativo, de outros substratos, como a glicose trazida pelo sangue e o lactato.
Teste-se antes de seguir
O glicogênio é a reserva de glicose do organismo. Em quais dois tecidos está a maior parte dele, e a que serve o glicogênio de cada um?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (1)
- Adeva-Andany MM, González-Lucán M, Donapetry-García C, Fernández-Fernández C, Ameneiros-Rodríguez E. Glycogen metabolism in humans. BBA Clin. 2016;5:85-100.
Glucose enters the cells via glucose transporters, being phosphorylated to glucose 6-phosphate by hexokinase isoenzymes. The next step is the isomerization of glucose 6-phosphate into glucose 1-phosphate by phosphoglucomutase-1.
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