Tecido adiposo branco, marrom e bege: histofisiologia, termogênese por UCP1 e remodelação
O tecido adiposo, de células armazenadoras de gordura com pouca matriz, reúne adipócitos branco (armazena lipídeos e isola), marrom (rico em mitocôndrias e UCP1, gera calor em vez de ATP, pela cadeia do frio ao UCP1: simpático, noradrenalina, receptor β-adrenérgico, AMPc e PKA) e bege (termogênico, recrutado em depósito branco, descrito sobretudo em camundongos). A expansão por hipertrofia ou hiperplasia e a remodelação disfuncional associada à hipertrofia (hipóxia, lipólise basal, macrófagos em coroa, fibrose, resistência à insulina) aparecem com a ressalva de que o quadro é reversível. Baseia-se em quatro revisões, um comentário e um livro-texto abertos, com os achados de camundongos rotulados; ficam de fora a clínica da obesidade, as adipocinas, a bioquímica dos lipídeos, o mecanismo do desacoplamento, os subtipos imunes e as terapias.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Essencial
- Frio: a cascata neural aciona o sistema nervoso simpático, que libera noradrenalina (NE) dos terminais simpáticos que inervam o BAT (descrito em roedores).
- A NE liga-se a receptores β1, β2 e β3-adrenérgicos nos adipócitos marrons.
- Em camundongos, a ativação dos receptores β3 estimula a adenilato ciclase, eleva o AMP cíclico (AMPc) intracelular e ativa a proteína quinase A (PKA).
- A PKA ativa a via da p38 MAPK, que fosforila o fator de transcrição ATF2; o ATF2 vai ao núcleo e promove a transcrição do UCP1. A PKA também fosforila o CREB, potencializando a expressão de UCP1.
- UCP1: o BAT, rico em mitocôndrias, expressa UCP1 (marca dos adipócitos termogênicos; o bege também a expressa) e capta ácidos graxos circulantes; o UCP1 desacopla a síntese de ATP e a energia vira calor (termogênese sem tremor). Parece que, após o frio, grandes quantidades de lipídeos do WAT fluem para o BAT. A ativação de BAT pré-existente ocorre em menos de 1 dia; o mecanismo dessa ativação aguda não é detalhado aqui.
- Frio prolongado: aumentam o conteúdo mitocondrial e as gotículas lipídicas dos adipócitos marrons (em camundongos), e o tamanho e a atividade do BAT crescem (recrutamento do BAT).
- Repouso (camundongo em temperatura ambiente ou termoneutra): há poucos adipócitos bege multiloculares no depósito subcutâneo inguinal (iWAT), localizados sobretudo em torno dos linfonodos.
- Frio agudo (menos de 1 dia): a NE dos terminais simpáticos do iWAT promove lipólise nos adipócitos brancos, para fornecer fonte de energia; no BAT, os adipócitos marrons já presentes são ativados.
- Depois de 1 dia de frio: os adipócitos bege começam a ser recrutados no iWAT; mais de 3 dias de frio promovem significativamente o recrutamento.
- Origem do bege (com debate): adipogênese de novo a partir de precursores de bege e transformação de adipócitos UCP1-negativos (ou ativação de bege dormentes).
- Regulação da expressão de UCP1 no bege: o PPARγ forma heterodímero com o RXRα e liga-se ao promotor do UCP1, aumentando a expressão de UCP1.
- Reversibilidade (em camundongos): após adaptação ao calor, o bege volta a ser adipócito branco típico, e um novo frio o reconverte em bege.
- Balanço energético positivo crônico: o tecido se remodela por mudanças no número e/ou tamanho dos adipócitos; o tamanho atinge um limiar crítico antes de o tecido recrutar precursores (proposto em modelos animais).
- Hipertrofia (adipócito maior): a deficiência relativa de vasculatura induz hipóxia local; o HIF1α acelera a fibrose do tecido e aumenta a resposta inflamatória local.
- Os adipócitos hipertrofiados secretam TNFα, IL-6, IL-8 e MCP-1; em camundongos com obesidade induzida por dieta, adipócitos perilipina-negativos mostram morte semelhante à necrose.
- O MCP-1 atrai macrófagos, que se acumulam em estrutura em coroa ao redor dos adipócitos perilipina-negativos; a depuração dos adipócitos mortos por fagocitose é papel provável, que a polarização M1 aumentada pode interromper.
- Fibrose: segundo a revisão, o excesso de colágeno (inclusive do tipo VI) leva à inflamação do tecido por desencadear a infiltração de células imunes (macrófagos, neutrófilos, linfócitos).
- Lipólise basal elevada nos adipócitos grandes: ácidos graxos livres vazam e são captados por fígado e músculo, causando acúmulo ectópico de lipídeos e lipotoxicidade.
- Resistência à insulina: as citocinas pró-inflamatórias levam à fosforilação em serina do substrato 1 do receptor de insulina (via NF-κB e JNK).
Na clínica
- Adipócito branco (WAT) · Armazena lipídeos e, segundo o livro-texto, contribui como isolamento contra o frio e proteção contra lesões mecânicas; as funções fisiológicas principais do WAT são o isolamento e o armazenamento de energia. · O livro-texto o descreve como formado por células armazenadoras de gordura, com pouca matriz extracelular, e uma grande quantidade de capilares permite armazenar e mobilizar lipídeos rapidamente.
- Adipócito marrom (BAT) · Tem gotículas lipídicas multiloculares, rica vascularização e mitocôndrias abundantes, e gera calor em vez de ATP; no adulto humano há quantidade reduzida, encontrada sobretudo na região do pescoço e das clavículas. · O BAT é especializado em gerar calor, e não ATP, pela alta expressão da proteína desacopladora mitocondrial 1 (UCP-1), que desacopla a produção de ATP e libera a energia como calor (termogênese sem tremor).
- Adipócito bege (brite) · É o adipócito termogênico (multilocular, rico em mitocôndrias e UCP1) que aparece dentro de depósitos de gordura branca; em camundongos, é recrutado no depósito subcutâneo inguinal pelo frio por mais de 1 dia. Segundo a revisão, em modelos animais, deriva de linhagem de desenvolvimento diferente da do marrom (Myf5-negativa, contra Myf5-positiva); a origem a partir de precursores ou por transformação do branco é debatida. · A revisão o considera fisiologicamente distinto do marrom, com expressão diferente de certos genes; por exemplo, a depleção de PRDM16 prejudica o desenvolvimento do bege após estímulo β-adrenérgico, mas não o do marrom.
- Humano adulto (limite do modelo de camundongo) · O adulto humano tem BAT funcional e induzível pelo frio e pela ativação do sistema nervoso simpático, mas é controverso se o bege do camundongo tem população equivalente no tecido subcutâneo humano; marcadores sugerem que o BAT supraclavicular do adulto parece ser formado por adipócitos bege. · Boa parte do que se sabe do recrutamento do bege vem de camundongos; a unidade não estende ao humano o que a fonte descreve no animal.
- Expansão por hipertrofia (adipócitos maiores) · Os adipócitos hipertrofiados secretam mais citocinas pró-inflamatórias (TNFα, IL-6, IL-8, MCP-1), desenvolvem hipóxia local e têm lipólise basal elevada. · Segundo a revisão, a hipertrofia induz hipóxia local por uma deficiência relativa de vasculatura, e muitos estudos sugerem que a hipertrofia, por si, causa função anormal do adipócito e leva à resistência à insulina.
- Expansão por hiperplasia (mais adipócitos) · Em vez de só inflar as células, o tecido recruta e diferencia precursores em adipócitos novos; Longo et al. a descrevem como a expansão "saudável" da gordura na obesidade. · Mais adipogênese distribui o excesso de gordura entre adipócitos recém-diferenciados e reduz o número de adipócitos hipertrofiados que secretam citocinas inflamatórias.
- Adulto humano: o que predomina · No adulto, o aumento de massa do WAT que desencadeia distúrbios metabólicos se deve sobretudo à hipertrofia; na obesidade infantil, a expansão da massa acompanha-se de hiperplasia. · A revisão cita um estudo segundo o qual o número de adipócitos é aproximadamente constante em adultos magros e obesos. A expansão "saudável" por recrutamento de precursores é descrita por Longo, sem separar adulto de criança; no adulto humano, segundo Choe, é a hipertrofia que predomina.
- Modelos animais: quando começa a adipogênese de novo · Em modelos animais de obesidade, propõe-se que a adipogênese de novo comece quando os adipócitos atingem um limite superior de volume. · Em balanço energético positivo crônico, o tamanho do adipócito atinge um limiar crítico antes de o tecido recrutar precursores para aumentar o número de adipócitos.
Teste-se antes de seguir
O adipócito branco e o marrom destinam a energia dos lipídeos de modos diferentes. Para que serve cada um, e que proteína da mitocôndria explica o modo do marrom?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (6)
- Chait A, den Hartigh LJ. Adipose Tissue Distribution, Inflammation and Its Metabolic Consequences, Including Diabetes and Cardiovascular Disease. Front Cardiovasc Med. 2020;7:22.
Adipose tissue can be classified by morphology into white, brown, or beige subsets.
- Betts JG, Young KA, Wise JA, Johnson E, Poe B, Kruse DH, Korol O, Johnson JE, Womble M, DeSaix P. Anatomy and Physiology 2e. Houston: OpenStax; 2022. Section 4.3, Connective Tissue Supports and Protects.
This is a loose connective tissue that consists of fat cells with little extracellular matrix. It stores fat for energy and provides insulation.
- Choe SS, Huh JY, Hwang IJ, Kim JI, Kim JB. Adipose Tissue Remodeling: Its Role in Energy Metabolism and Metabolic Disorders. Front Endocrinol (Lausanne). 2016;7:30.
The key physiological functions of WAT are insulation and energy storage.
- Jeon YG, Kim SW, Kim JB. Decoding temporal thermogenesis: coregulator selectivity and transcriptional control in brown and beige adipocytes. Adipocyte. 2024;13(1):2391511.
Key features of thermogenic brown and beige adipocytes are abundant mitochondria, multilocular lipid droplets (LDs), and high expression of uncoupling protein 1 (UCP1), which primarily mediates nonshivering thermogenesis
- Longo M, Zatterale F, Naderi J, Parrillo L, Formisano P, Raciti GA, Beguinot F, Miele C. Adipose Tissue Dysfunction as Determinant of Obesity-Associated Metabolic Complications. Int J Mol Sci. 2019;20(9):2358.
hypertrophic adipocytes manifest significant alterations in cell metabolism. Basal lipolysis is elevated in hypertrophic adipocytes
- Makki K, Froguel P, Wolowczuk I. Adipose tissue in obesity-related inflammation and insulin resistance: cells, cytokines, and chemokines. ISRN Inflamm. 2013;2013:139239.
Obesity is a proinflammatory condition in which hypertrophied adipocytes and adipose tissue-resident immune cells (primarily lymphocytes and macrophages) both contribute to increased circulating levels of proinflammatory cytokines.
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