Timo: arquitetura, epitélio tímico e seleção de linfócitos T
Em 30 segundos
A unidade cobre a arquitetura do timo (cápsula, lóbulos, córtex, medula e junção corticomedular), o que fazem as células epiteliais corticais e medulares e outras células do estroma na seleção dos linfócitos T, e o que acontece com o órgão na involução.
Escopo e método deste resumo
A unidade cobre a arquitetura do timo (cápsula, lóbulos, córtex, medula e junção corticomedular), o que fazem as células epiteliais corticais e medulares e outras células do estroma na seleção dos linfócitos T, e o que acontece com o órgão na involução. Baseia-se em três revisões abertas e no OpenStax; ficam de fora o desenvolvimento embrionário, a regeneração e a terapia tímicas e o manejo clínico, e a tolerância central entra só no eixo histológico, com sobreposição parcial com imunologia.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Essencial
- Entrada: progenitores vindos do fígado fetal ou da medula óssea adulta entram no timo e originam os progenitores precoces de linfócito T (ETP); a entrada se dá pela junção corticomedular, região rica em vasos.
- Córtex: a região externa abriga os timócitos duplo-negativos (DN) e duplo-positivos (DP), densamente empacotados numa malha reticular formada pelas células epiteliais corticais (cTEC); por isso o córtex cora mais intensamente que o resto do timo.
- Seleção positiva: as cTEC expressam proteassoma e proteases lisossomais próprios, que permitem produzir e apresentar um conjunto único de autopeptídeos para a seleção positiva de um repertório de TCR diverso; a interação do TCR com complexos autopeptídeo-MHC decide o destino do timócito (segundo a revisão, com base em boa parte murina).
- Relocação: as células epiteliais medulares (mTEC) produzem a quimiocina CCL21, que induz a relocação dos timócitos simples-positivos (SP) do córtex para a medula e favorece a seleção negativa (segundo a revisão, com base em boa parte murina).
- Medula: região interna, com coleção menos densa de timócitos SP sustentados pelas mTEC, além de células epiteliais e dendríticas; a expressão de antígenos tecido-restritos pelas mTEC maduras garante a seleção negativa e/ou a conversão em Treg dos timócitos SP autorreativos.
- Saída: a junção corticomedular, rica em vasos, é também o sítio de emigração dos timócitos SP maduros.
- Sinal de partida: os timócitos SP positivamente selecionados expressam RANKL, o principal mediador do diálogo entre timócito e estroma; o receptor RANK é expresso sobretudo nas mTEC.
- Transdução: o sinal de RANK ativa o fator de transcrição NF-κB, por vias mediadas por TRAF6, NIK e IKK; o RANKL governa a maturação das mTEC Aire− em mTEC Aire+.
- Apresentação: as mTEC Aire+ apresentam peptídeos em MHC de classe II, o que leva à eliminação de linfócitos T autorreativos na seleção negativa.
- Destino: o timócito autorreativo é eliminado (seleção negativa) ou desviado para a linhagem de linfócitos T reguladores (Treg), cujo desenvolvimento exige interação de alta avidez com autopeptídeos-MHC.
- Falha em camundongos: sem RANKL ou sem RANK, há redução marcante das mTEC Aire+ e sinais de autoimunidade.
- Correlato em humanos: mutações de perda de função do gene AIRE (síndrome APECED) foram associadas a um compartimento de Treg circulantes defeituoso.
Na clínica
- Cápsula e trabéculas (arcabouço conjuntivo) · O tecido conjuntivo mantém os dois lobos unidos, separa-os e forma a cápsula; a cápsula divide o timo em lóbulos por extensões chamadas trabéculas, e em cada lóbulo se veem o córtex e a medula. · O arcabouço conjuntivo é o que organiza o órgão em lóbulos, cada um com as duas regiões.
- Córtex (região externa do lóbulo) · Contém grande número de timócitos, com algumas células epiteliais, macrófagos e células dendríticas; é densamente empacotado e cora mais intensamente; abriga os timócitos DN e DP numa malha de cTEC. · O empacotamento denso de timócitos explica a coloração intensa; o córtex promove a geração de um repertório de TCR diverso.
- Junção corticomedular · Região rica em vasos entre as duas regiões, que é o sítio de imigração dos precursores de linfócito T e de emigração dos timócitos SP maduros. · A junção, rica em vasos, é o sítio de imigração dos precursores e de emigração dos timócitos SP maduros.
- Medula (região interna do lóbulo) · É o local para onde os timócitos migram antes de deixar o timo; tem uma coleção menos densa de timócitos SP, sustentados pelas mTEC, com células epiteliais e dendríticas, e cora mais claro. · A medula estabelece a autotolerância dos linfócitos T, e o menor empacotamento celular explica a coloração mais clara.
- Célula epitelial cortical (cTEC) · Forma a malha reticular do córtex, que abriga os timócitos DN e DP; expressa um proteassoma e proteases lisossomais próprios. · Esse equipamento permite produzir e apresentar um conjunto único de autopeptídeos para a seleção positiva de um repertório de TCR diverso.
- Célula epitelial medular (mTEC) madura · Sustenta os timócitos SP na medula; expressa um conjunto diverso de genes, de quase todos os transcritos codificantes, incluindo os de antígenos tecido-restritos (TRAs); produz a quimiocina CCL21. · A expressão de TRAs garante a seleção negativa e/ou a conversão em Treg dos timócitos SP autorreativos que reconhecem esses antígenos.
- Fibroblasto medular (dado de camundongo) · Expressa MHC de classe I, mas não de classe II nem moléculas coestimuladoras, o que sugere que não funciona como célula apresentadora de antígeno profissional; expressa antígenos célula-específicos que as mTEC não cobrem. · Em camundongos, o fibroblasto medular é fonte primária de certos autoantígenos para a indução de tolerância, ampliando a diversidade de autoantígenos.
- Célula dendrítica tímica · A medula é rica em células dendríticas e linfócitos B; as células dendríticas transportam à medula antígenos do sangue e da periferia. · Esse transporte contribui para a deleção de clones T autorreativos e para a diferenciação de Treg.
Teste-se antes de seguir
Num corte histológico do timo, o que divide o órgão em lóbulos e como se distinguem as duas regiões de cada lóbulo? O que explica a diferença de coloração entre elas?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (4)
- Nitta T, Takayanagi H. Non-Epithelial Thymic Stromal Cells: Unsung Heroes in Thymus Organogenesis and T Cell Development. Front Immunol. 2020;11:620894.
Thymus-seeding progenitor cells from the fetal liver or adult bone marrow enter into the thymus and give rise to Early T-cell progenitors (ETPs)
- Betts JG, Young KA, Wise JA, Johnson E, Poe B, Kruse DH, Korol O, Johnson JE, Womble M, DeSaix P. Anatomy and Physiology 2e. Houston: OpenStax; 2022. Section 21.1, Anatomy of the Lymphatic and Immune Systems.
T cells migrate from bone marrow to the thymus gland where they further mature.
- Kinsella S, Dudakov JA. When the Damage Is Done: Injury and Repair in Thymus Function. Front Immunol. 2020;11:1745.
RANKL governs the maturation of Aire − mTECs to Aire + mTECs which subsequently present MHC-II peptides that drive the elimination of self-reactive T cells during negative selection
- Caramalho I, Nunes-Cabaço H, Foxall RB, Sousa AE. Regulatory T-Cell Development in the Human Thymus. Front Immunol. 2015;6:395.
The development of thymus-derived Tregs is known to require high-avidity interaction with MHC-self peptides
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