Tuberculose: parede micobacteriana, macrófago alveolar, granuloma e latência (recorte: Mycobacterium tuberculosis)
Quatro revisões abertas, restritas à tuberculose por Mycobacterium tuberculosis: as três camadas da parede e os ácidos micólicos; a entrada por partículas inaladas e o macrófago alveolar, onde o bacilo prolifera antes de a resposta de células T se estabelecer; o granuloma, entre a visão clássica de que isolava o bacilo e a evidência recente que a questiona; e a infecção latente, em que a resposta imune contém sem esterilizar, e a reativação, cujo mecanismo ainda não se entende por completo. Ficam de fora a hanseníase, as micobactérias não tuberculosas, as bactérias atípicas (Mycoplasma, Legionella), o diagnóstico laboratorial como técnica, o tratamento e a vacina.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Essencial
- Um paciente com tuberculose pulmonar ativa é fonte de infecção; a infecção começa pela inalação, por um contato, de núcleos de gotículas contendo M. tuberculosis.
- Pelo tamanho pequeno, esses núcleos escapam das defesas dos brônquios e chegam aos alvéolos terminais, onde são englobados por macrófagos e células dendríticas; tipicamente o macrófago alveolar, embora a prova definitiva em humanos seja difícil de obter.
- Nessa fase o bacilo prolifera sem restrição de resposta imune adaptativa, usando evasões como a inibição da fusão fagolisossômica; os macrófagos alveolares controlam mal o bacilo.
- Uma resposta de células T se desenvolve, com atraso em relação a outros patógenos respiratórios, e leva a um controle mais eficaz do bacilo.
- Em muitas pessoas a resposta imune só consegue conter a infecção: o crescimento bacteriano para, sem esterilização, e bacilos dormentes podem permanecer em lesões antigas (infecção latente); a fração dos infectados latentes que de fato abriga bacilos viáveis é debatida.
- Se a resposta imune for rompida, como no HIV, os bacilos dormentes podem ressuscitar e causar tuberculose ativa.
Na clínica
- Parede bacteriana em geral e a composição própria nas micobactérias · A parede celular é comum às bactérias, Gram-positivas e Gram-negativas, segundo a fonte, mas pode diferir muito nas características bioquímicas e estruturais. A estrutura central da parede do Mycobacterium tuberculosis tem três componentes principais: um polímero reticulado de peptidoglicano, um polissacarídeo muito ramificado, o arabinogalactano, e ácidos micólicos de cadeia longa. · A complexidade da parede é o que distingue as micobactérias.
- O componente distintivo · O último componente distintivo da parede micobacteriana são ácidos graxos únicos, chamados ácidos micólicos. · As três camadas sustentam o crescimento celular e a virulência e formam uma barreira contra antibióticos.
- Como as camadas se ligam · As extremidades das cadeias de arabinano do arabinogalactano são o ponto de ligação dos ácidos micólicos. · É nesse ponto de ligação que os ácidos micólicos se prendem à parede.
- O granuloma e o que se acreditava dele · Com o tempo, as células se agrupam em um agregado compacto e organizado de macrófagos maduros cercados por fibroblastos, entremeados por neutrófilos, células dendríticas, células NK, linfócitos B e linfócitos T CD4+ e CD8+: essa estrutura é o granuloma. · Historicamente, e até recentemente, considerou-se que ele representava um esforço concentrado do sistema imune para isolar, murar e erradicar o bacilo.
- Granuloma inicial (fase inata) · No granuloma inicial, as células (macrófagos inflamatórios, neutrófilos e células dendríticas) englobam as micobactérias e se infectam, e macrófagos e células dendríticas apresentam mal os antígenos aos linfócitos T CD4+ ali; a apresentação eficiente só ocorre depois, no linfonodo. · As células do granuloma inicial (macrófagos inflamatórios, neutrófilos e células dendríticas) se infectam, e a apresentação eficiente de antígenos só ocorre mais tarde, no linfonodo.
- A evidência recente · Segundo Bozzano et al. (2014), evidências recentes questionaram a visão do granuloma como estrutura protetora do hospedeiro: o conceito de que ele restringe o crescimento do bacilo foi questionado, e no modelo de peixe-zebra com M. marinum o recrutamento de monócitos ao granuloma pode favorecer a proliferação do patógeno. · Granulomas são estruturas dinâmicas, inicialmente exploradas pela bactéria para replicar e se espalhar; segundo a revisão, parece que o desfecho dos focos infecciosos é determinado no nível do granuloma local, e não sistemicamente.
- Depois da primoinfecção · A primoinfecção causa doença clínica em apenas cerca de 10% dos indivíduos; nos demais, a resposta imune interrompe o crescimento do bacilo. Segundo Ahmad (2011), o patógeno é completamente erradicado em apenas cerca de 10% das pessoas; segundo esta revisão, na maioria a resposta imune só consegue conter a infecção, e alguns bacilos permanecem em estado não replicante (dormente ou latente) em lesões antigas: é a infecção latente por M. tuberculosis. · Alguns bacilos escapam por atenuar os mecanismos microbicidas das células imunes; a latência é parada do crescimento, não esterilização, e a fração dos infectados latentes que de fato abriga bacilos viáveis é debatida.
- Risco de doença ativa ao longo da vida · Estima-se que 5% a 10% dos infectados desenvolverão tuberculose ativa ao longo da vida; em coinfectados pelo HIV, o risco de doença ativa é de 5% a 15% ao ano e de cerca de 50% ao longo da vida. · A revisão apresenta estimativas separadas e não as reconcilia; não as some. Os bacilos dormentes conservam a capacidade de ressuscitar e causar tuberculose ativa se a resposta imune for rompida; pacientes com linfopenia de CD4, com ou sem HIV, têm risco aumentado.
- O que se sabe do mecanismo da reativação · Dois mecanismos bem caracterizados aumentam a probabilidade de reativação: a depleção quantitativa e qualitativa de linfócitos T CD4+ e o comprometimento da sinalização do TNF-α. · Ainda não se entende o mecanismo preciso que induz a transição da dormência para a reativação; entre infectados latentes, é impossível prever quem reativará, quando e onde.
Teste-se antes de seguir
A parede celular do Mycobacterium tuberculosis é a sua característica distintiva. Que três componentes formam a estrutura central dessa parede e qual deles a distingue?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (4)
- Abrahams KA, Besra GS. Mycobacterial cell wall biosynthesis: a multifaceted antibiotic target. Parasitology. 2018;145(2):116-133.
The cell wall is common to all bacteria, both Gram-positive and Gram-negative, but can have vast differences in terms of the biochemical and structural features.
- Ahmad S. Pathogenesis, immunology, and diagnosis of latent Mycobacterium tuberculosis infection. Clin Dev Immunol. 2011;2011:814943.
Tuberculosis is a communicable disease and patients with pulmonary TB are the most important source of infection. Infection is initiated by inhalation of droplet nuclei
- Elkington P, Polak ME, Reichmann MT, Leslie A. Understanding the tuberculosis granuloma: the matrix revolutions. Trends Mol Med. 2022;28(2):143-154.
In initial infection, Mtb aerosol droplets are typically inhaled to the well-ventilated lower lobes and phagocytosed by alveolar macrophages, although definitive proof in humans is difficult to obtain and not all early lesions are basal.
- Bozzano F, Marras F, De Maria A. Immunology of tuberculosis. Mediterr J Hematol Infect Dis. 2014;6(1):e2014027.
even if latency consists in arrest of bacterial growth, not in bacterial sterilization.
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