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Reações de hipersensibilidade: os quatro tipos, da anafilaxia à dermatite de contato

Quatro revisões abertas, uma delas diretriz da WAO: os quatro tipos de Gell e Coombs pelo mecanismo (IgE, anticorpo contra célula, imunocomplexo, célula T), com um exemplo (FPIES) a que a revisão de Hopp não aplica a classificação; a anafilaxia, dos mediadores à epinefrina intramuscular (indicada mesmo quando não há IgE); o tipo II nas células do sangue; o tipo III e o que decide o órgão atingido; a dermatite de contato do tipo IV; e as reações que se parecem com alergia, mas não seguem o mecanismo clássico (pseudoalergia, rubor da vancomicina, reação semelhante à doença do soro). Os exemplos vêm de reações a fármacos, sobretudo antibióticos. Ficam de fora as doenças clássicas dos tipos II, III e IV que não vêm de fármaco, os subtipos IVa-IVd, a alergia alimentar e a atopia, o diagnóstico laboratorial e a dose de qualquer medicamento.

Conferido por auditoria cega, com defeitos plantados para medir o auditor.Atualizado em 27/10/2026 · 4 fontes citadas

Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.

Essencial

  1. O IgE específico para o alérgeno se liga a receptores Fc-épsilon-RI de mastócitos e basófilos.
  2. A nova exposição provoca degranulação e liberação de mediadores, entre eles a histamina e a triptase, que já estavam armazenadas nos grânulos.
  3. Os mediadores causam vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar, com os sinais e sintomas típicos da anafilaxia.
  4. O diagnóstico se baseia sobretudo no quadro clínico; a triptase, mais estável que a histamina, pode apoiá-lo quando elevada, mas triptase normal não exclui anafilaxia; a histamina plasmática volta ao nível basal em cerca de 30 minutos do início dos sintomas.
  5. Toda anafilaxia, inclusive a não mediada por IgE, deve ser tratada com epinefrina (adrenalina) intramuscular, de primeira linha e dada o quanto antes; a via intravenosa não é recomendada no início (se usada, só em pacientes monitorizados); beta-2 agonistas, glicocorticoides e anti-histamínicos são de segunda linha.
  1. Anticorpos IgG ou IgM formam imunocomplexos com o antígeno, que pode ser um fármaco.
  2. Normalmente os complexos são removidos de imediato; ocasionalmente precipitam e ativam o complemento.
  3. Os componentes do complemento recrutam e ativam neutrófilos e macrófagos, com inflamação e lesão tecidual.
  4. O local do depósito dos complexos, e não a origem do antígeno, decide o conjunto de sintomas: vasos, rins e articulações dão vasculite, nefrite e artrite.
  5. A doença do soro é um exemplo: febre, erupção urticariforme e poliartralgia.
  1. A fase de sensibilização começa quando o hapteno se liga a proteínas carreadoras da pele.
  2. O complexo hapteno-proteína é processado por células apresentadoras, como as dendríticas dérmicas, que migram para os linfonodos regionais e ativam os linfócitos T.
  3. Numa nova exposição ao mesmo hapteno, a fase de elicitação ocorre em 24 a 72 horas.
  4. Linfócitos T CD8+ ativados, as principais células efetoras, são recrutados à pele, induzem apoptose de queratinócitos e liberam citocinas como IFN-γ e TNF-α.
  5. Eritema, prurido e placas escamosas ou vesículas.

Na clínica

  • Tipo I (mediado por IgE) · Reação imediata: o IgE específico para o alérgeno se liga a mastócitos e, na exposição, dispara a liberação de histamina e leucotrienos, com vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar. · O IgE específico fica ligado a receptores de mastócitos e basófilos, e a nova exposição leva à degranulação dessas células.
  • Tipo II (anticorpo contra antígeno de superfície celular) · Os anticorpos se ligam a antígenos da superfície da célula e produzem citotoxicidade celular dependente de anticorpo. · O alvo é uma célula marcada por anticorpo, e a interação entre anticorpo e antígeno destrói a célula, por complemento ou por fagocitose.
  • Tipo III (imunocomplexos) · Imunocomplexos se formam, depositam-se em vasos e tecidos e ativam o complemento, que libera mediadores inflamatórios. · Os complexos normalmente são removidos de imediato, mas ocasionalmente precipitam e ativam o complemento.
  • Tipo IV (mediado por células T) · Os sintomas aparecem tardiamente e dependem da ativação de linfócitos T. · Ocorre quando linfócitos T ficam sensibilizados a um antígeno; o mediador é a célula T.
  • Escopo da classificação · Nesta revisão, Hopp não aplica as classificações de hipersensibilidade à síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES). · A FPIES é uma síndrome não mediada por IgE, aceita como um processo imunopatológico complexo.
  • Plaquetas · Trombocitopenia, com sangramento: petéquias, equimoses e epistaxe. · Em antibióticos, acredita-se que o mecanismo mais provável seja por anticorpos dependentes de hapteno, embora a patogênese não esteja totalmente esclarecida: anticorpos dirigidos ao fármaco ligado à célula, ou a um componente de membrana alterado por ele, levam à destruição da plaqueta.
  • Hemácias · Anemia hemolítica, que pode ocorrer quando o fármaco é reintroduzido na presença dos anticorpos que ele induziu; a cefotetana é exceção a essa exigência de exposição prévia, podendo causá-la dias após uma dose única. · A destruição é a mesma: o anticorpo reage com o antígeno e a célula é destruída por complemento ou fagocitose.
  • Neutrófilos · Neutropenia, em geral com febre, calafrios e mialgias. · Os anticorpos têm como alvo os glóbulos brancos, e a apresentação clínica depende do tipo de célula envolvido.
  • Pseudoalergia · Os sintomas se parecem com os da alergia e podem aparecer já na primeira dose, sem sensibilização prévia; a maioria é leve (urticária aguda), mas pode ocorrer anafilaxia, até fatal. · Em parte está ligada a um receptor dos mastócitos, o MRGPRX2, crucial para a estimulação direta do mastócito independente de IgE.
  • Rubor associado à vancomicina · Pode surgir com a infusão rápida: rubor, vermelhidão e prurido na parte superior do corpo, como face e pescoço. O manejo usual do quadro típico é reduzir a velocidade de infusão, com anti-histamínico como pré-medicação em novas infusões. Sintomas graves, como falta de ar ou hipotensão, são raros, mas podem ocorrer; nesse caso trata-se de anafilaxia, mesmo sem IgE, e a conduta é a epinefrina intramuscular. · A vancomicina estimula diretamente a degranulação dos mastócitos, sem processo imunomediado.
  • Reação semelhante à doença do soro · Sintomas parecidos, porém mais leves que os da doença do soro clássica; é comumente associada a antibióticos como cefalosporinas (sobretudo cefaclor), penicilinas, sulfonamidas e ciprofloxacino, e em geral basta retirar o antibiótico. · Segundo Maker, não há formação de imunocomplexos nem ativação do complemento, e o mecanismo exato não está totalmente esclarecido (haptenos ou metabólitos tóxicos às células). As fontes divergem: a tabela de Franceschini lista as reações semelhantes à doença do soro no tipo III, mediado por imunocomplexos.

Teste-se antes de seguir

Dois pacientes reagem a um antibiótico: um tem urticária poucos minutos depois da dose, o outro um exantema vários dias depois. Que componente da resposta imune explica cada reação?

A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.

Responder na Avaliação
Fontes (4)
  1. Maker JH, Stroup CM, Huang V, James SF. Antibiotic Hypersensitivity Mechanisms. Pharmacy (Basel). 2019;7(3):122.
    The Gell and Coombs system classifies DHR by their immunologic mechanism into four categories (Type I–IV)
  2. Franceschini F, Bottau P, Caimmi S, Cardinale F, Crisafulli G, Liotti L, et al. Mechanisms of hypersensitivity reactions induced by drugs. Acta Biomed. 2019;90(3-S):44-51.
    The classification of DHRs relies on the clinical presentation of typical symptoms and their timing, and were originally described by Gell and Coombs: namely Type I, IgE mediated reactions, Type II, antibody mediated cytotoxicity reactions, Type III, immune complex-mediated reactions, and Type IV, d…
  3. Hopp RJ. Hypersensitivity Reactions: An Everyday Occurrence in Pediatric Allergy Clinics. Pediatr Allergy Immunol Pulmonol. 2020;33(1):12-18.
    For the purpose of this review, hypersensitivity reaction classifications are inapplicable to explain FPIES.
  4. Cardona V, Ansotegui IJ, Ebisawa M, El-Gamal Y, Fernandez Rivas M, Fineman S, et al. World allergy organization anaphylaxis guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472.
    Although elevated levels support a diagnosis of anaphylaxis, normal levels do not exclude anaphylaxis having occurred

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