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Transplante: do HLA estranho à rejeição, e o que a diretriz manda fazer diante dela

Em 30 segundos

A diferença de HLA entre doador e receptor é o alvo da rejeição: linfócitos T do receptor reconhecem o HLA estranho e anticorpos contra o doador ativam o complemento no endotélio do enxerto, e a agressão repetida evolui para cicatriz.

Escopo e método deste resumo

A diferença de HLA entre doador e receptor é o alvo da rejeição: linfócitos T do receptor reconhecem o HLA estranho e anticorpos contra o doador ativam o complemento no endotélio do enxerto, e a agressão repetida evolui para cicatriz. A diretriz KDIGO 2009 organiza a indução, a biópsia e o tratamento da rejeição celular, da humoral e da subclínica; o consenso de Banff 2019 define os critérios da rejeição por anticorpo e da lesão crônica. A doença enxerto contra hospedeiro entra só como contraste de direção do ataque; doses, manutenção e infecções pós-transplante ficam fora.

Conferido por auditoria cega, com defeitos plantados para medir o auditor.Atualizado em 27/10/2026 · 4 fontes citadas

Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.

Este é um resumo curto

A unidade tem pouco texto explicativo porque ela trabalha com cartões e perguntas. O estudo completo, com as perguntas e a avaliação, está no app.

Essencial

  1. O HLA é uma molécula de enorme polimorfismo cuja função é apresentar peptídeos aos linfócitos T: o de classe I, presente em quase todas as células nucleadas, apresenta a linfócitos T CD8, e o de classe II, concentrado nas células apresentadoras de antígeno, a linfócitos T CD4. Um órgão de outra pessoa traz variantes de HLA que o receptor não possui
  2. Essa disparidade de HLA entre doador e receptor é lida pelo sistema imune do receptor como estranha, por reconhecimento direto, indireto ou semidireto, e dela podem sair a rejeição celular, a formação de anticorpos contra o doador e a lesão crônica do enxerto
  3. Quanto à intensidade do risco, o número de diferenças de HLA entre doador e receptor se associa à chance de rejeição aguda, embora os estudos não concordem sobre quantas nem de que tipo; as diferenças em HLA-DR e HLA-DQ se associam à formação de anticorpos contra o doador depois do transplante, à rejeição por anticorpo e à perda do enxerto a longo prazo
  4. Pelo ramo celular, os linfócitos do receptor que reconhecem o HLA do doador atacam o órgão; é a resposta de origem linfocitária, que pode ocorrer sozinha ou junto com a humoral
  5. Pelo ramo humoral, os anticorpos contra o doador se ligam ao endotélio do enxerto e disparam a via clássica do complemento, que lesa a integridade endotelial; os fragmentos C3a e C5a recrutam neutrófilos, macrófagos e células NK, e a inflamação se instala na microvasculatura do órgão
  6. Quando a agressão persiste, a lesão aguda evolui por um contínuo até a cicatriz e a fibrose do enxerto, uma das principais barreiras à sobrevida longa do órgão

Na clínica

  • Receptor sem anticorpos prévios contra o HLA do doador (não sensibilizado) · A reperfusão do órgão não encontra anticorpos prontos; a rejeição, se vier, depende de uma resposta que ainda precisa ser montada, de linfócitos T ou de anticorpos formados depois do transplante. · Sem anticorpo pré-formado, o HLA do enxerto só é visto como estranho quando o sistema imune do receptor o reconhece e expande a resposta; o risco de rejeição por anticorpo é menor que o de quem já chega sensibilizado.
  • Receptor sensibilizado, com anticorpos já presentes contra o HLA do doador (por exemplo, depois de transfusões) · O risco de rejeição por anticorpo e de perda do enxerto é bem maior, e no extremo a rejeição é imediata, a hiperaguda, a rejeição imediata por anticorpos preexistentes. Por isso se faz a prova cruzada antes do transplante: a versão por citotoxicidade dependente de complemento tem alta especificidade e sensibilidade limitada, e a norma brasileira exige prova cruzada negativa em caso de doação intervivos. · Os anticorpos já circulam e encontram o HLA do doador assim que o sangue chega ao órgão, de modo que o complemento é ativado sobre o endotélio sem o tempo que uma resposta nova levaria.
  • Receptor que passa a formar anticorpos contra o doador só depois do transplante (anticorpos de novo) · A rejeição por anticorpo tende a surgir tardiamente e a evolução costuma ser pior que a de quem tinha anticorpos pré-formados. · A resposta se constrói ao longo do tempo diante do HLA do enxerto, em especial das diferenças em HLA-DR e HLA-DQ, e a lesão da microvasculatura se acumula até cicatrizar, sem o alarme de uma reação imediata.
  • Receptor de células-tronco hematopoéticas, em que o enxerto é o próprio sistema imune do doador · A direção do ataque também pode se inverter: além do risco de falha do enxerto, surge o da doença enxerto contra hospedeiro, em que as células imunes do doador tratam o hospedeiro como estranho. · O enxerto transfere um sistema imune inteiro; a disparidade de HLA que, no órgão sólido, atrai o ataque do receptor contra o enxerto pode aqui também orientar o ataque do enxerto contra o receptor, com possível efeito enxerto contra leucemia.

Teste-se antes de seguir

Uma mulher de 41 anos, 18 dias depois de um transplante renal com doador falecido, em uso de tacrolimo, micofenolato e prednisona, apresenta creatinina que subiu de 1,4 para 2,6 mg/dL. Não há sinais de infecção urinária nem de obstrução, e o nível sérico do tacrolimo está na faixa-alvo. A biópsia do enxerto mostra glomerulite leve e capilarite peritubular moderada (g1, ptc2), sem tubulite, sem inflamação intersticial relevante e sem arterite; não há glomerulonefrite recorrente nem sinal de poliomavírus. A imunofluorescência mostra coloração linear difusa para C4d nos capilares peritubulares (C4d3). A pesquisa de anticorpos anti-HLA doador-específicos por ensaio de antígeno único, colhida três dias antes, foi negativa. Qual é a interpretação mais adequada desse conjunto?

A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.

Responder na Avaliação
Fontes (4)
  1. Beyond histocompatibility: human leukocyte antigen as a cross-disciplinary platform for immune recognition and clinical decision-making. Front Immunol. 2026.
    The clinical relevance of HLA reflects its extreme polymorphism, its expression on immune-relevant cellular targets, and its direct role in antigen-specific recognition.
  2. KDIGO Clinical Practice Guideline for the Care of Kidney Transplant Recipients. Am J Transplant. 2009;9(Suppl 3):S1-S155.
    The number of HLA mismatches between the recipient and donor is associated with the risk of acute rejection, but few studies have agreed on the number or type of mismatches
  3. Update on diagnostic and therapeutic strategies for antibody-mediated rejection in kidney transplantation. World J Transplant. 2026;16(1).
    Once bound, these antibodies activate the classical complement cascade, beginning with C1q binding and progressing to the formation of the membrane attack complex (C5b-9), which disrupts endothelial integrity
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.600, de 21 de outubro de 2009. Aprova o Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes.
    Em caso de doação intervivos, a prova cruzada com o doador deverá ser negativa.

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