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Fisiologia do sono e ritmos circadianos

Em 30 segundos

A unidade percorre como o sono é regulado, do relógio circadiano e da necessidade homeostática de sono aos circuitos da vigília, do sono NREM e do sono REM, e mostra como os estágios se distinguem.

Escopo e método deste resumo

A unidade percorre como o sono é regulado, do relógio circadiano e da necessidade homeostática de sono aos circuitos da vigília, do sono NREM e do sono REM, e mostra como os estágios se distinguem. Liga esses mecanismos à narcolepsia, ao transtorno comportamental do sono REM, às alterações familiares de fase, ao jet lag e à insônia crônica. Não recomenda nenhuma conduta clínica.

Conferido por auditoria cega, com defeitos plantados para medir o auditor.Atualizado em 27/10/2026 · 5 fontes citadas

Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.

Essencial

  1. A luz captada pela retina chega ao núcleo supraquiasmático (NSQ) do hipotálamo pelo trato retino-hipotalâmico; o NSQ é o relógio mestre do corpo, de onde se origina a regulação circadiana do ciclo sono-vigília.
  2. A entrada vinda da retina desloca a fase da atividade oscilatória do NSQ, alterando o momento de sua saída sináptica; assim o relógio interno se sincroniza com o mundo externo.
  3. Processo C: contribuição do relógio circadiano que promove a vigília; um ritmo circadiano dura cerca de 24 horas. O impulso de sono ao longo de 24 horas pode ser aproximado pela diferença entre o processo S, promotor de sono, e o processo C, promotor de vigília.
  4. Processo S: componente homeostático que promove o sono; sobe com o tempo acordado e se dissipa com o tempo dormido, refletindo a necessidade de sono. Segundo a revisão, a base molecular e a neuroanatômica do processo S ainda não foram identificadas.
  5. Propõe-se que a sinalização da adenosina reflita o impulso homeostático de sono (hipótese, não identidade com o processo S); segundo a revisão, o aumento da adenosina liberada nas sinapses do prosencéfalo basal se correlaciona com o tempo acordado.
  6. A melatonina, hormônio liberado pela glândula pineal, é um regulador do ciclo sono-vigília (a pineal é tida como envolvida na regulação de vários ritmos biológicos); sua liberação é estimulada pelo escuro e inibida pela luz.
  1. No tronco encefálico, o sistema ativador reticular ascendente (ARAS) reúne o núcleo dorsal da rafe, a área tegmentar ventral, o locus coeruleus e os núcleos tegmentar laterodorsal e pedunculopontino, que liberam serotonina, dopamina, noradrenalina e acetilcolina, respectivamente.
  2. Esses núcleos projetam por duas vias: a dorsal modula o tálamo, que recebe muita informação sensorial antes de passá-la ao córtex; a ventral chega ao prosencéfalo basal, que também projeta ao córtex, e inclui nós do hipotálamo lateral (orexina) e do núcleo tuberomamilar (histamina).
  3. Vigília: os núcleos colinérgicos e monoaminérgicos ativam as duas vias, o córtex é excitado e a via dorsal mantém os neurônios talâmicos num modo de disparo que favorece a passagem do sinal sensorial.
  4. Sono NREM: a sinalização colinérgica e a monoaminérgica ficam ambas reduzidas, o que amortece a excitação cortical e aumenta a filtragem da informação sensorial no tálamo.
  5. Sono REM: a sinalização colinérgica continua a ativar a via ventral e excita o córtex, enquanto a monoaminérgica fica reduzida e o tálamo filtra o sinal sensorial; uma via colinérgica descendente pelo núcleo subcoeruleus termina em inibição dos motoneurônios da medula espinal e causa a atonia muscular própria do REM.
  6. Muitos núcleos promotores de sono parecem formar conexões mutuamente inibitórias com os núcleos promotores de vigília; essa relação tem sido comparada a um interruptor do tipo flip-flop, que favorece transições rápidas e estabilidade de estado.

Neuropeptídeo orexina (hipocretina), que atua sobre núcleos promotores de vigília

Hipotálamo lateral (via ventral de ativação do córtex)

Na vigília a atividade cerebral é dominada por ondas beta, as de maior frequência (13–30 Hz) e menor amplitude; ao adormecer, a frequência das ondas diminui e a amplitude aumenta. Os três primeiros estágios do sono são NREM, tipicamente seguidos de sono REM.

O sono NREM se distingue por lentificação e sincronização das oscilações cerebrais; o REM, por dessincronização e atonia muscular. No estágio 2 as ondas teta são interrompidas por surtos breves chamados fusos do sono, e os complexos K aparecem com frequência nele. O estágio 3, também chamado sono de ondas lentas ou sono profundo, tem ondas delta de baixa frequência (menos de 3 Hz) e alta amplitude. No REM as ondas cerebrais são muito semelhantes às da vigília.

Neurônios orexinérgicos do hipotálamo lateral aumentam a atividade de muitos núcleos promotores de vigília e, com isso, estabilizam e reforçam a vigília.

A narcolepsia é causada por sinalização reduzida do neuropeptídeo orexina, possivelmente por destruição autoimune dos neurônios que a produzem. Os pacientes têm dificuldade de manter a vigília completa por mais do que poucas horas seguidas e têm também o sono noturno interrompido, o que levou a caracterizar a narcolepsia como um transtorno de manutenção da vigília e do sono.

No sono REM, a sinalização colinérgica ativa uma via descendente pelo núcleo subcoeruleus que termina em inibição dos motoneurônios da medula espinal, e isso causa a atonia muscular própria do REM.

O transtorno comportamental do sono REM ocorre quando a paralisia muscular associada à fase REM não ocorre. A fonte define o transtorno pela ausência dessa paralisia e não diz em que ponto da via descendente ela falha.

Nos mamíferos o oscilador central usa os fatores de transcrição CLOCK (ou seu homólogo NPAS2) e BMAL1, que formam heterodímeros e ativam a transcrição de genes controlados pelo relógio.

Os produtos dos genes Period (Per) e Cryptochrome (Cry) formam heterodímeros PER::CRY que reprimem CLOCK/NPAS2::BMAL1. O efeito dessa alça de retroalimentação negativa é o sobe e desce da atividade de CLOCK/NPAS2::BMAL1 e, por isso, a transcrição cíclica dos genes controlados pelo relógio.

O relógio do NSQ se ajusta pela informação de luz que chega da retina; além do ciclo sono-vigília, há flutuações diárias de frequência cardíaca, pressão arterial, glicemia e temperatura corporal, e alerta se associa a temperaturas mais altas e sonolência a mais baixas.

Quando o relógio circadiano interno sai de sincronia com o ambiente, surgem sintomas. O jet lag é um conjunto de sintomas que resulta do descompasso entre os ciclos circadianos internos e o ambiente; no trabalho em turnos rotativos o horário muda com tanta frequência que fica difícil manter um ritmo circadiano normal.

Fatores precipitantes e perpetuantes da insônia incluem mecanismos neurobiológicos do sono: mecanismos homeostáticos, controladores biológicos do tempo (ritmo circadiano) e o modelo de controle em interruptor (flip-flop) dos grupos neuronais que promovem o sono e a vigília.

A diretriz brasileira propõe entender a insônia como falta de controle entre os mecanismos indutores de sono e os de vigília, com sistema de alerta hiperativo, sistema do sono hipoativo, ou os dois ao mesmo tempo. A insônia é muitas vezes associada a hiperalerta, com ativação do sistema nervoso autônomo e aumento da atividade adrenérgica e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal; a própria diretriz registra que se questiona se essa hiperativação se sustenta cronicamente.

Na clínica

No REM há paralisia dos músculos do corpo, exceto os da circulação e da respiração; por essa combinação de alta atividade cerebral e ausência de tônus, o REM é chamado de sono paradoxal. É relativamente fácil acordar alguém do estágio 1 e muito mais difícil do estágio 3. O sonambulismo ocorre com mais frequência no sono de ondas lentas, mas pode ocorrer em qualquer momento do sono em alguns indivíduos. Quem é privado de REM passa mais tempo em REM quando volta a dormir (rebote de REM), o que sugere que o REM também é regulado de forma homeostática.

Há sonolência diurna excessiva associada a intrusões frequentes de sono REM na vigília. A narcolepsia costuma vir com cataplexia, um estado temporário de fraqueza muscular paralítica desencadeado por emoções positivas, como entusiasmo ou riso; nesses períodos o paciente está consciente do que o cerca, e o estado cataplético foi descrito como um híbrido entre a paralisia do REM e a vigília. Esta unidade não recomenda conduta.

Há alto nível de atividade física durante o REM, especialmente durante sonhos perturbadores: chutes, socos, arranhões, gritos e comportamento como o de um animal assustado ou atacado. A pessoa pode ferir a si mesma ou a quem dorme ao lado. O transtorno está associado a várias doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson (associação, sem direção causal estabelecida na fonte). Esta unidade não recomenda conduta.

Pacientes com transtorno familiar de fase atrasada do sono (DSPD) costumam acordar tarde de manhã e adormecer tarde da noite; esse comportamento foi mapeado a uma mutação de ganho de função em Cry1, cuja proteína passa a reprimir de forma constitutiva CLOCK e BMAL1. Pacientes com transtorno familiar de fase avançada (ASPD) costumam acordar e adormecer muito cedo; num subconjunto deles o comportamento foi mapeado a mutações de perda de função em Per2 e na quinase CKIδ, que controla a estabilidade de PER2. Esta unidade não recomenda conduta.

Os sintomas do jet lag incluem fadiga, lentidão, irritabilidade e insônia. O trabalho em turnos rotativos pode levar a sinais de depressão e ansiedade. Segundo o livro-texto, como o relógio biológico é movido pela luz, a exposição à luz intensa durante os turnos e ao escuro fora deles pode ajudar a combater a insônia e os sintomas de ansiedade e depressão (afirmação do livro-texto, não recomendação de conduta desta unidade).

Os sintomas incluem dificuldade para adormecer, dificuldade para manter o sono e despertar mais cedo do que o desejado, que podem coexistir. Para diagnosticar a insônia crônica eles devem ocorrer pelo menos três vezes por semana durante pelo menos três meses, com sintomas diurnos: fadiga, redução de energia, atenção, concentração e memória, e alterações de humor como irritabilidade e disforia. Esta unidade não trata de conduta.

Teste-se antes de seguir

No modelo de dois processos que regula o sono, quais são os dois componentes e como cada um se comporta?

A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.

Responder na Avaliação
Fontes (5)
  1. Joiner WJ. The Neurobiological Basis of Sleep and Sleep Disorders. Physiology (Bethesda). 2018;33(5):317-327.
    the circadian regulation of the sleep/wake cycle originates in the body’s master clock, located in the suprachiasmatic nucleus (SCN) of the hypothalamus
  2. Spielman RM, Jenkins WJ, Lovett MD. Psychology 2e. Houston: OpenStax; 2020. Section 4.1, What Is Consciousness?.
    The axons of light-sensitive neurons in the retina provide information to the SCN based on the amount of light present, allowing this internal clock to be synchronized with the outside world
  3. Spielman RM, Jenkins WJ, Lovett MD. Psychology 2e. Houston: OpenStax; 2020. Section 4.3, Stages of Sleep.
    As compared to the brain wave patterns while asleep, beta waves have the highest frequency (13–30 Hz) and lowest amplitude, and they tend to show more variability.
  4. Spielman RM, Jenkins WJ, Lovett MD. Psychology 2e. Houston: OpenStax; 2020. Section 4.4, Sleep Problems and Disorders.
    Sleepwalking most often occurs during slow-wave sleep, but it can occur at any time during a sleep period in some affected individuals
  5. Drager LF, Assis M, Bacelar AFR, Poyares DLR, et al. 2023 Guidelines on the Diagnosis and Treatment of Insomnia in Adults - Brazilian Sleep Association. Sleep Sci. 2023;16(Suppl 2):507-549.
    Precipitating and perpetuating factors encompass neurobiological sleep mechanisms, including homeostatic mechanisms, biological time controllers (circadian rhythm), and the flip-flop (switch) control model of the mechanisms in neuronal cell group centers that promote sleep and wakefulness.

Onde isso cai na prática

1 caso clínico do acervo exige este tema. Veja onde ele decide a conduta.

  • O estudante que 'não dorme': atraso de fase, cronoterapia e a sonolência que não passou

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