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Fisiologia sensorial: receptores e vias aferentes

Em 30 segundos

Um estímulo muda o potencial de membrana do neurônio sensorial e gera um potencial de ação que o SNC integra em percepção.

Escopo e método deste resumo

Um estímulo muda o potencial de membrana do neurônio sensorial e gera um potencial de ação que o SNC integra em percepção. A unidade traz a adaptação lenta e rápida dos mecanorreceptores, as duas vias somatossensoriais (coluna dorsal-lemnisco medial e espinotalâmica) com o nível de decussação de cada uma e sua leitura numa hemissecção medular, o nociceptor (estímulos, fibras A e C, atividade que não é dor), a teoria das comportas com os limites do modelo e a dor referida por convergência. Ficam de fora os sentidos especiais, a anatomia fina dos tratos, a via trigeminal, a sensibilização e a dor crônica.

Conferido por auditoria cega, com defeitos plantados para medir o auditor.Atualizado em 27/10/2026 · 6 fontes citadas

Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.

Essencial

  1. Um estímulo age sobre uma proteína receptora da membrana do neurônio sensorial: um ligante químico ativa um receptor transmembrana, e outras proteínas de membrana respondem a mudanças mecânicas ou térmicas.
  2. A mudança física na proteína aumenta o fluxo de íons pela membrana e, com isso, o estímulo muda o potencial de membrana do neurônio sensorial (transdução).
  3. Essa mudança pode gerar um potencial graduado ou um potencial de ação no neurônio sensorial.
  4. O potencial de ação é retransmitido ao sistema nervoso central, onde é integrado com outras informações sensoriais.
  5. A integração central produz a percepção consciente: sensação é a ativação das células receptoras, percepção é o processamento central em um padrão com sentido, e nem toda sensação é percebida.
  1. Via responsável sobretudo por tato e propriocepção: o axônio de um neurônio do gânglio da raiz dorsal entra pela raiz dorsal e se junta à substância branca da coluna dorsal da medula.
  2. Os axônios da coluna dorsal terminam em núcleos do bulbo, onde fazem sinapse com o segundo neurônio da via.
  3. O segundo neurônio decussa, isto é, cruza a linha média do bulbo, e seus axônios sobem pelo tronco encefálico num feixe chamado lemnisco medial.
  4. Esses axônios terminam no tálamo, onde fazem sinapse com o terceiro neurônio.
  5. O terceiro neurônio projeta ao giro pós-central do córtex cerebral, onde os estímulos somatossensoriais são processados inicialmente e ocorre a percepção consciente do estímulo.
  1. Via responsável sobretudo por dor e temperatura: o neurônio do gânglio da raiz dorsal estende o axônio ao corno dorsal, onde faz sinapse com o segundo neurônio.
  2. O segundo neurônio, que dá nome à via, tem o corpo celular na substância cinzenta da medula e se conecta ao tálamo.
  3. Os axônios dos segundos neurônios decussam dentro da própria medula, no mesmo nível em que a informação entrou, e sobem ao encéfalo.
  4. Entram no tálamo, onde fazem sinapse com o terceiro neurônio da via.
  5. Os neurônios do tálamo projetam ao córtex somatossensorial do giro pós-central.

Canais iônicos de transdução dos nociceptores, como o TRPV1, canal catiônico ativado por calor e agonizado pela capsaicina

Terminações nervosas livres (dor e temperatura), de axônios sobretudo finos e amielínicos (fibras C) ou mielinizados (fibras A)

Na via da coluna dorsal-lemnisco medial, o segundo neurônio decussa no bulbo; na via espinotalâmica, o segundo neurônio decussa dentro da medula, no mesmo nível em que a informação entrou.

Numa hemissecção medular, abaixo da lesão os axônios da coluna dorsal ainda não cruzaram e sobem do mesmo lado: a perda de vibração e propriocepção é ipsilateral. Os axônios espinotalâmicos de um lado do corpo já cruzaram, no nível de entrada, para o lado oposto da medula antes de subir: abaixo da lesão, a perda de dor e temperatura é contralateral.

Melzack e Wall propuseram em 1965 a teoria das comportas: fibras sensoriais grossas e finas excitam neurônios de transmissão no corno dorsal, e o portão fica aberto ou fechado conforme o equilíbrio entre a entrada das fibras grossas e a das finas.

Se o portão depende desse equilíbrio, aumentar seletivamente a entrada das fibras grossas deve fechá-lo, reduzindo a atividade dos neurônios de transmissão e diminuindo a dor em curso. A hipótese nasceu da observação, atribuída a Noordenbos, de que no herpes-zóster o toque leve causa dor intensa e de que as fibras grossas normalmente inibem as finas. Wall depois aceitou que um dos pilares iniciais, a ideia de que entradas restritas a fibras finas são sempre dolorosas, não se generaliza: há degeneração de fibras grossas sem dor, como na ataxia de Friedreich e na polineuropatia da insuficiência renal.

Aferentes nociceptivos de áreas diferentes convergem sobre neurônios de segunda ordem da medula espinal.

Pela teoria da convergência-projeção, essa convergência faz a dor aparecer em áreas somáticas diferentes da área da lesão. Uma segunda hipótese propõe fibras aferentes que se bifurcam para a região lesada e para a área referida.

Na clínica

A síndrome de Brown-Séquard é o padrão de lesão incompleta que corresponde à hemissecção, com fraqueza e perda de vibração e propriocepção ipsilaterais e perda contralateral de dor e temperatura; os déficits vêm do envolvimento do trato corticoespinhal, da via coluna dorsal-lemnisco medial e do trato espinotalâmico.

Em 8 pacientes com dor, relatados em estudo histórico que testou a previsão, a estimulação de alta frequência das fibras grossas aliviou a dor: nos 4 com lesão de nervo periférico (TENS), durante a estimulação e por cerca de 30 minutos depois; nos outros 4, a dor voltou em 5 a 10 minutos. Isso testa a previsão do modelo e não estabelece, por si só, a eficácia clínica do TENS. A revisão de 2014 conclui que o modelo não está correto em detalhe, e o mecanismo da inibição pelas fibras grossas continuou em aberto.

A dor referida ocorre numa área distante da lesão primária e não é radicular: não é diretamente causada por estimulação mecânica ou inflamatória de nervo ou raiz, e é a dor radicular que costuma vir com déficit de força, de reflexos e de sensibilidade. A fonte afirma que a dor referida não é distribuída por dermátomo, diferentemente da radicular, embora descreva padrões segmentares que não são consistentes entre pacientes. A dor referida visceral é considerada uma combinação patológica das vias nociceptivas visceral e somática.

Teste-se antes de seguir

Um estímulo (um ligante químico ou uma deformação mecânica) atua sobre a terminação de um neurônio sensorial. Como esse estímulo vira um sinal nervoso e qual é a diferença entre sensação e percepção?

A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.

Responder na Avaliação
Fontes (6)
  1. Betts JG, Young KA, Wise JA, Johnson E, Poe B, Kruse DH, Korol O, Johnson JE, Womble M, DeSaix P. Anatomy and Physiology 2e. Houston: OpenStax; 2022. Section 14.1, Sensory Perception.
    A transmembrane protein receptor is a protein in the cell membrane that mediates a physiological change in a neuron, most often through the opening of ion channels or changes in the cell signaling processes. Transmembrane receptors are activated by chemicals called ligands.
  2. Betts JG, Young KA, Wise JA, Johnson E, Poe B, Kruse DH, Korol O, Johnson JE, Womble M, DeSaix P. Anatomy and Physiology 2e. Houston: OpenStax; 2022. Section 14.2, Central Processing.
    The dorsal column system (sometimes referred to as the dorsal column–medial lemniscus) and the spinothalamic tract are two major pathways that bring sensory information to the brain
  3. Dubin AE, Patapoutian A. Nociceptors: the sensors of the pain pathway. J Clin Invest. 2010;120(11):3760-3772.
    Adequate stimuli include temperature extremes (> ~40°C–45°C or < ~15°C), intense pressure, and chemicals signaling potential or actual tissue damage.
  4. Blackbourn LW, Khan S, Srinivas J, Sosa De La Cruz J, Vennavaram S. A Modern Approach to Brown-Séquard Syndrome: A Case Report. Cureus. 2026;e102036.
    Brown-Séquard syndrome (BSS) is defined as the incomplete pattern of injury that manifests with damage to one half of the spinal cord, referred to as a hemisection. It has specific characteristic deficits of ipsilateral weakness and loss of vibration and proprioception sensation with contralateral l…
  5. Mendell LM. Constructing and deconstructing the gate theory of pain. Pain. 2014;155(2):210-216.
    The Gate Theory of Pain, published by Ronald Melzack and Patrick Wall in Science in 1965, was formulated to provide a mechanism for coding the nociceptive component of cutaneous sensory input.
  6. Jin Q, Chang Y, Lu C, Chen L, Wang Y. Referred pain: characteristics, possible mechanisms, and clinical management. Front Neurol. 2023;14:1104817.
    Referred pain occurs in an area far from the primary lesion ( 1 , 2 ) and is sometimes associated with secondary hyperalgesia and trophic changes in the referred areas ( 3 ).

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