Critérios de admissão e priorização de vaga em UTI: o que a norma fixa e o que o hospital decide
Em 30 segundos
A resolução do CFM sobre admissão em UTI dá a decisão ao médico intensivista, com o pedido justificado e registrado, e manda priorizar pela condição do paciente; a resolução seguinte acrescenta níveis de atenção, outro eixo que se cruza com o das prioridades.
Escopo e método deste resumo
A resolução do CFM sobre admissão em UTI dá a decisão ao médico intensivista, com o pedido justificado e registrado, e manda priorizar pela condição do paciente; a resolução seguinte acrescenta níveis de atenção, outro eixo que se cruza com o das prioridades. O leito disponível é uma das bases da admissão, e o índice de gravidade da norma da ANVISA serve para avaliar o desempenho da UTI, não para escolher quem entra. A resolução não traz critérios que a operacionalizem, e o protocolo do hospital precisa suprir isso.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Este é um resumo curto
A unidade tem pouco texto explicativo porque ela trabalha com cartões e perguntas. O estudo completo, com as perguntas e a avaliação, está no app.
Essencial
- h1 · O hospital diz seguir a Resolução do CFM, mas cada plantão a aplica de um jeito e pedidos parecidos tiveram destinos diferentes. · Escreva o protocolo do próprio hospital a partir da resolução, levando em conta o tamanho da UTI e as intervenções que ela consegue oferecer. · Esperar que a resolução, sozinha, uniformize a decisão, ou prometer que o protocolo reduz mortes. Uma análise ética brasileira da 2.156 concluiu que faltam critérios que a operacionalizem e que a triagem é variável e sujeita a vieses; e uma revisão sistemática sobre tensão de capacidade não achou estudo experimental que mostrasse melhora dos desfechos com a intervenção.
- h2 · O pedido de vaga é recusado porque o paciente foi julgado bem demais para a UTI. · Trate a recusa como uma decisão com continuação: diga com a equipe de origem quem volta a olhar o paciente e o que fará essa pessoa mudar de ideia. · Tratar a recusa como ponto final. Num único centro suíço, em estudo retrospectivo de um ano, 10,4% dos 2.219 pacientes avaliados foram recusados e 6,9% dos recusados tiveram um evento inesperado em 7 dias (internação na UTI sem outra indicação ou morte sem limitação de tratamento): a maioria evoluiu sem evento, mas não todos.
- h3 · O leito da UTI fica vago por horas depois de uma saída, e a gerência atribui tudo à falta de leitos. · Meça o intervalo entre vagar e ocupar o leito por turno e por dia da semana antes de concluir que o problema é só a oferta. · Ignorar o processo da vaga: numa UTI pública de Sergipe o tempo entre vagar e ocupar foi maior de dia e nos dias úteis, e mulheres e pacientes mais jovens esperaram menos. O estudo mede tempo, não a justiça da escolha; é transversal e de um hospital.
Teste-se antes de seguir
Às 23 h um cirurgião telefona dizendo que 'o diretor já autorizou' a UTI para o paciente dele e pede só que o leito seja reservado. Pela Res. CFM 2.156/2016, quem decide a admissão e o que o médico que pede a vaga precisa fazer com o pedido?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (5)
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.156/2016, que estabelece os critérios de admissão e alta em unidade de terapia intensiva (D.O.U. 17/11/2016, Seção I, p. 138-139).
O serviço de unidade de tratamento intensivo (UTI) de cada instituição hospitalar deve desenvolver protocolos, baseados nos critérios de internação e alta desta resolução, que estejam de acordo com as necessidades específicas dos pacientes, levando em conta as limitações do hospital, tais como taman…
- Ramos et al. Accountability for reasonableness and criteria for admission, triage and discharge in intensive care units: an analysis of current ethical recommendations. Crit Care Sci. 2021;33(1) (análise ética conceitual, sem dado empírico).
The process of triage is variable and may be influenced by biases and prejudices, which could lead to potentially unfair decisions.
- Eriksson CO et al. The Association Between Hospital Capacity Strain and Inpatient Outcomes in Highly Developed Countries: A Systematic Review. J Gen Intern Med. 2017;32(6):686-696.
No experimental studies were randomized, and none demonstrated an improvement in health outcomes after implementing the intervention.
- Sridharan et al. Triage of Critically Ill Patients: Characteristics and Outcomes of Patients Refused as Too Well for Intensive Care. J Clin Med. 2023;12(17):5513 (um centro em Fribourg, Suíça; retrospectivo).
Among 2219 enrolled patients, the refusal rate was 10.4%. Refusal was associated with diagnostic groups, treatment limitations, patients’ location on a ward, night time and ICU occupancy. Unexpected events occurred in 16 (6.9%) refused patients.
- Alves Júnior et al. Evaluation of bed vacancy and occupancy times as governance parameters in patients admitted to a public intensive care unit. Rev Bras Ter Intensiva. 2020;32(3) (transversal, 1 hospital público de Sergipe, 2018).
Disparities in the waiting time for intensive care unit beds were identified, as the time was greater in the daytime and on weekdays, and women and younger patients experienced shorter vacancy-to-occupancy times.
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