AVC isquêmico e hemorrágico: o que acontece no tecido e o que isso muda na pressão de perfusão e na conduta
Três obras: a diretriz da European Stroke Organisation (2021) sobre pressão arterial no AVC agudo, que sustenta tudo que decide nota, e duas revisões abertas, que sustentam o mecanismo do AVC isquêmico (falta de energia, glutamato, núcleo e penumbra) e o da hemorragia intracerebral (hipertensão e angiopatia amiloide, lesão secundária e edema perihematoma). A unidade pergunta o que esse mecanismo muda na pressão de perfusão e na conduta: o racional da queda de PA na hemorragia, a perfusão da penumbra, a hiperperfusão após recanalização, a PA pré-hospitalar, o tempo e o limite da queda e o spot sign. Ficam de fora a hemorragia subaracnóidea, as doses, as indicações de trombólise e trombectomia e a diretriz brasileira (não abre; dívida declarada).
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Este é um resumo curto
A unidade tem pouco texto explicativo porque ela trabalha com cartões e perguntas. O estudo completo, com as perguntas e a avaliação, está no app.
Essencial
- O AVC isquêmico nasce da interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, por trombose ou embolia. A origem pode ser embolia do coração, embolia de uma artéria para outra ou doença de pequenos vasos no próprio local.
- Sem fluxo, o tecido fica sem oxigênio e sem glicose: a síntese de ATP falha, e a homeostase iônica e o equilíbrio acidobásico se desorganizam.
- O desequilíbrio de sódio, potássio e cálcio despolariza as células e faz com que elas liberem glutamato.
- O glutamato em excesso ativa os receptores NMDA, o que induz toxicidade e morte celular: é a excitotoxicidade.
- Essas disfunções produzem edema cerebral, neuroinflamação e morte de células neurais, a base do déficit neurológico.
- O dano não é uniforme. No núcleo isquêmico, a falta de oxigênio e de glicose costuma levar à necrose irreversível. Na penumbra, o dano é menor e os processos de morte celular (apoptose, autofagia) são reversíveis: é tecido ainda viável.
- As duas causas primárias da hemorragia intracerebral espontânea são a hipertensão crônica e a angiopatia amiloide cerebral.
- Na hipertensão, a pressão alta remodela as arteríolas (lipo-hialinose e dissecções arteriolares do tipo Charcot-Bouchard); elas se rompem e o sangue extravasa sob pressão para o parênquima profundo.
- Por isso os sangramentos hipertensivos ocorrem em áreas profundas, irrigadas por vasos pequenos: putâmen, caudado, tálamo, tronco encefálico e núcleos cerebelares profundos.
- Na angiopatia amiloide, o amiloide se acumula na parede arterial e há perda de células musculares lisas, o que aumenta o risco de hemorragia lobar, e não profunda.
- Depois do sangramento, a lesão secundária evolui por dias a semanas, por inflamação, toxicidade do sangue e do ferro e estresse oxidativo.
- O edema ao redor do hematoma tem duas fases: nas primeiras 24 a 72 horas, vem da passagem de proteínas séricas para o parênquima (edema vasogênico); nos 7 a 14 dias seguintes, continua com a trombina, a inflamação e a lesão pelo ferro.
Teste-se antes de seguir
Um paciente chega com hemorragia intracerebral espontânea aguda e pressão arterial elevada. Qual é o raciocínio para baixar a PA nesse caso, e que evento do hematoma essa redução tenta impedir?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (2)
- Qin C, Yang S, Chu YH, Zhang H, Pang XW, Chen L, et al. Signaling pathways involved in ischemic stroke: molecular mechanisms and therapeutic interventions. Signal Transduct Target Ther. 2022;7(1):215.
Ischemic stroke is caused by an interruption in cerebral blood flow, induced by thrombosis or embolism.
- Magid-Bernstein J, Girard R, Polster S, Srinath A, Romanos S, Awad IA, et al. Cerebral Hemorrhage: Pathophysiology, Treatment, and Future Directions. Circ Res. 2022;130(8):1204-1229.
The primary pathoetiologies of spontaneous ICH are chronic hypertension and cerebral amyloid angiopathy (CAA).
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