Fisiopatologia da filtração glomerular e seus determinantes
A unidade mostra como a doença desloca a filtração glomerular: para baixo, pela queda da pressão de perfusão (azotemia pré-renal), pelo aumento da pressão intratubular na obstrução e pela lesão tubular isquêmica com sua resposta vascular; e para cima, na hiperfiltração, em que os néfrons remanescentes ou os desequilíbrios vasoativo e tubular do diabetes elevam a filtração de cada néfron. Mostra ainda que uma filtração normal do rim inteiro pode esconder perda de néfrons. Não recomenda nenhuma conduta clínica.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Essencial
- O rim recebe até um quarto do débito cardíaco; por isso uma falha da circulação geral (por exemplo, hipovolemia ou débito cardíaco reduzido) ou uma falha isolada da circulação intrarrenal tem grande impacto na perfusão renal.
- A pressão de perfusão renal cai, e a taxa de filtração glomerular diminui sem que haja dano ao parênquima renal: é a azotemia pré-renal.
- Durante a hipoperfusão, o rim gera prostaglandinas vasodilatadoras que ajudam a manter a perfusão renal.
- A resposta normal do rim é concentrar ao máximo a urina e reabsorver sódio avidamente, para manter ou aumentar o volume intravascular e normalizar a perfusão.
- Se a azotemia pré-renal é prolongada ou profunda, ocorre dano isquêmico ao rim: existe um espectro que vai da azotemia pré-renal à lesão renal aguda isquêmica.
- Uma obstrução aguda ao fluxo urinário, em qualquer nível do trato urinário, caracteriza as causas pós-renais de lesão renal aguda.
- A obstrução eleva a pressão dentro dos túbulos (pressão intratubular).
- A taxa de filtração glomerular diminui.
- A obstrução aguda também pode prejudicar o fluxo sanguíneo renal e ativar processos inflamatórios, que contribuem para a menor filtração.
- Uma nova redução do fluxo sanguíneo renal causa lesão celular, em especial das células epiteliais tubulares, e a queda da filtração continua (fase de iniciação da lesão isquêmica).
- A lesão prejudica o transporte tubular de sódio, incluindo a reabsorção proximal.
- Espera-se que esse transporte prejudicado ative a retroalimentação tubuloglomerular, com aumento da resistência da arteríola aferente e queda concomitante da filtração.
- Duas outras hipóteses também foram postuladas para a queda da filtração: o retrovazamento do filtrado glomerular e a obstrução tubular. Uma explicação mecanística clara entre lesão tubular e queda da filtração segue elusiva.
- Em ratos, rins pós-isquêmicos não autorregulam o fluxo e se vasoconstringem quando a pressão de perfusão diminui.
- No diabetes, a patogênese da hiperfiltração é complexa e envolve vários mecanismos e mediadores, com papel proeminente da hiperglicemia e da alteração dos níveis de insulina.
- Pela teoria vascular, há desequilíbrio dos fatores humorais vasoativos que controlam o tônus das arteríolas pré e pós-glomerulares.
- Pela teoria tubular, aumenta a reabsorção proximal de sódio (e de glicose), com crescimento tubular e aumento dos cotransportadores SGLT e do NHE3; isso reduz a resistência da arteríola aferente por inibição da retroalimentação tubuloglomerular e aumenta a filtração do néfron.
- A hiper-reabsorção proximal reduz a pressão intratubular e a pressão hidráulica no espaço de Bowman, o que aumenta o gradiente hidráulico líquido e perpetua a hiperfiltração.
- O resultado é maior pressão hidráulica glomerular e maior fluxo convectivo de ultrafiltrado e de macromoléculas através do capilar.
A filtração glomerular do rim inteiro é a soma da filtração de todos os néfrons funcionantes.
Quando glomérulos sofrem dano irreversível, os néfrons remanescentes sofrem hipertrofia funcional e estrutural (glomérulos e túbulos associados), na tentativa de manter a filtração e a reabsorção do rim inteiro dentro da faixa normal, isto é, cada néfron remanescente filtra mais. Estímulos metabólicos e neuro-hormonais do diabetes e da obesidade também aumentam a filtração por néfron, independentemente da massa renal.
Na clínica
A filtração glomerular do rim inteiro pode permanecer normal mesmo com perda considerável de massa de néfrons. Avaliar a reserva funcional renal e a excreção urinária de albumina pode ajudar a identificar a extensão da perda subclínica de néfrons funcionantes.
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Aprofundamento
A hiperfiltração eleva a pressão hidráulica glomerular e o fluxo de ultrafiltrado e de macromoléculas pelo capilar. Classicamente se levantou a hipótese de que isso predispõe a dano irreversível dos néfrons e contribui para o início e a progressão da doença renal no diabetes; os próprios autores afirmam que estudos dedicados, com medidas diagnósticas adequadas e desfechos clinicamente relevantes, são necessários para confirmar essa suposição.
A hiperfiltração é, em parte, uma adaptação à redução da massa funcional de néfrons: os néfrons remanescentes aumentam a própria filtração para manter a filtração do rim inteiro na faixa normal.
Teste-se antes de seguir
Um paciente perde muito volume e a filtração glomerular cai. O que mudou na hemodinâmica do rim e o que se pode dizer sobre o estado do tecido renal?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (2)
- Basile DP, Anderson MD, Sutton TA. Pathophysiology of acute kidney injury. Compr Physiol. 2012;2(2):1303-1353.
The kidneys receive up to 25% of the cardiac output and thus any failure of the general circulation or isolated failure of the intrarenal circulation can have a profound impact on renal perfusion.
- Tonneijck L, Muskiet MHA, Smits MM, et al. Glomerular hyperfiltration in diabetes: mechanisms, clinical significance, and treatment. J Am Soc Nephrol. 2017;28(4):1023-1039.
Pathogenesis of hyperfiltration in diabetes is complex, comprising numerous mechanisms and mediators, with a prominent role for hyperglycemia and distorted insulin levels
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