Opioides: mecanismo, tolerância e depressão respiratória
Em 30 segundos
O opioide ativa receptores mu em neurônios respiratórios do tronco encefálico, reduz a frequência e o volume da respiração e embota a resposta ao CO2 e ao O2; a tolerância à depressão respiratória se instala de modo menos completo que a tolerância à analgesia.
Escopo e método deste resumo
O opioide ativa receptores mu em neurônios respiratórios do tronco encefálico, reduz a frequência e o volume da respiração e embota a resposta ao CO2 e ao O2; a tolerância à depressão respiratória se instala de modo menos completo que a tolerância à analgesia. A diretriz CDC 2022 organiza os riscos: sedativos, apneia do sono, formulações de liberação prolongada, perda de tolerância e oferta de naloxona.
Material educacional escrito com apoio de IA e conferido por revisão automatizada, sem revisão médica nomeada. Não substitui o livro-texto nem orientação clínica.
Este é um resumo curto
A unidade tem pouco texto explicativo porque ela trabalha com cartões e perguntas. O estudo completo, com as perguntas e a avaliação, está no app.
Essencial
- O opioide se liga ao receptor mu presente em neurônios respiratórios do tronco encefálico, a mesma classe de receptor que produz a analgesia
- A ativação desses receptores torna as redes que geram e modulam o ritmo respiratório menos excitáveis, e o ritmo gerado no tronco encefálico fica mais lento e menos regular
- Cai a frequência e cai o volume de cada incursão; além disso, a resposta ventilatória que o CO2 alto e o O2 baixo normalmente provocariam fica embotada, de modo que o sinal que deveria corrigir a falha perde força
- O impulso para respirar durante a vigília e a reação de despertar também diminuem, e a musculatura da faringe e da língua perde tônus; o paciente dorme, respira mal e dificilmente é acordado pelo próprio desconforto
- O CO2 se acumula, o oxigênio cai, e a combinação de hipercapnia e hipoxemia mantida leva à parada cardiorrespiratória, que é a causa principal de morte por opioide
Na clínica
- Pessoa sem exposição prévia a opioides que recebe doses crescentes de fentanil intravenoso · A ventilação cai com concentrações baixas do fármaco no sítio de ação e a apneia aparece com doses cumulativas relativamente pequenas. · Os neurônios respiratórios não passaram por adaptação a exposição repetida, e o fármaco encontra o sistema em sua sensibilidade de partida.
- Usuário crônico de opioide em dose alta que recebe as mesmas doses crescentes de fentanil intravenoso · Precisa de concentração várias vezes maior para o mesmo grau de depressão ventilatória, mas a apneia ainda ocorre quando a dose é escalonada o bastante; a proteção existe e não é completa. · As adaptações neuronais à exposição repetida reduzem a sensibilidade respiratória, porém a tolerância à depressão respiratória se instala de forma menor e mais lenta que a tolerância ao efeito analgésico, de modo que uma dose que o paciente considera ajustada para a dor pode ainda estar próxima da que deprime a respiração.
Teste-se antes de seguir
Um homem de 39 anos, que usou morfina em doses altas por dor crônica e a interrompeu por completo há cerca de oito meses, é levado ao pronto-socorro por familiares. Após uma crise de dor, ele tomou de uma só vez a mesma quantidade de comprimidos que usava antes de parar. Está sonolento, com frequência respiratória de 6 irpm, saturação de 82% em ar ambiente e pupilas puntiformes. Os familiares estranham, porque ele sempre tolerou essa quantidade sem problemas. Qual das explicações abaixo melhor justifica a gravidade do quadro com uma dose que antes era bem tolerada?
A resposta fica na Avaliação, sem spoiler aqui.
Responder na AvaliaçãoFontes (2)
- van der Schier R, Roozekrans M, van Velzen M, Dahan A, Niesters M. Opioid-induced respiratory depression: reversal by non-opioid drugs. F1000Prime Rep. 2014;6:79.
Potent opioid analgesics, through their actions on μ-opioid receptor (MOR) expressed on respiratory neurons in the brainstem, depress ventilation.
- Algera MH, Olofsen E, Moss L, Dobbins RL, Niesters M, van Velzen M, Groeneveld GJ, Heuberger J, Laffont CM, Dahan A. Tolerance to Opioid-Induced Respiratory Depression in Chronic High-Dose Opioid Users: A Model-Based Comparison With Opioid-Naïve Individuals. Clin Pharmacol Ther. 2021;109(3):637-645.
is potentially life‐threatening, as it may cause opioid‐induced respiratory depression (OIRD) and ultimately death from silencing of neurons in brainstem respiratory networks.
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